terça-feira, 20 de outubro de 2009

La Paz

La Paz é um dos locais mais diferentes que já visitei. Tudo se mistura. O rural e o urbano, o passado e presente, os camponeses e os prédios. Só os pobres e os ricos que parecem separados de maneira clara. Visualmente, sem andar muitos quilômetros você vê a diferença entre o bairro de quem tem dinheiro e todo o restante da cidade. Parece não existir um meio.

Como nosso hotel era ruim, assim que acordamos resolvemos buscar outro. Andamos bastante a achamos, mas falhei ao não anotar o nome.

Como era domingo, o comércio estava fechado e acabamos assitindo a um desfile militar. Depois fomos em busca de comida. Muito barata por aqui! Ainda mais para quem está vindo do Peru pagando preços bem mais salgados.

Visitamos algumas agências de viagem em busca de pacotes para o Salar e para a montanha Chacaltaya que fica a 5395m de altitude e a 2 horas de La Paz.
Onde se hospedar?
O centro, para quem é turista, é o melhor local. Mas é preciso fé. Tudo ao redor é... exótico. Muita pobreza, pedinte, bancas vendendo papel higiênico na rua. Pode comprar o pacote com quatro rolos ou um só.

Se você quer acordar com um horizonte mais limpo, busque os bairros mais chiques e modernos. No centro, por exemplo, não encontramos um único supermercado!!! É de verdade! Uma ou outra vendinha ou os camelôs que vendiam de tudo.
Pensamos em sair a noite, mas optamos por comer no hotel mesmo, estávamos exaustos!


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Chegando a La Paz

Depois do ônibus chegar, ao menos não tivemos mais cantoria. Paz até La Paz. Trocadilho horroroso.

Mas a paz só durou dentro do ônibus mesmo. Após três horas de viagem todo mundo começou a descer novamente. Fui informada por outro passageiro que era ali o final da linha. O cemitério! Até pensei em bater boca com o motorista, mas enquanto estivesse fazendo isso todos os passageiros iriam embora e ficaríamos ali sozinhos.

Pegamos nossas malas e tratamos de fazer sinal para pegar um táxi. Achamos um tanto estranho que numa região horrível e deserta à meia noite tantos carros de polícia estivessem parados. Não fiquei para ver.

O motorista, um jovem rapaz solícito, pegou nossas bagagens e guardou. Entramos no carro felizes por estarmos saindo dali.

- Pare! – um guarda entrou na frente do carro.

Quase desmaiei. Pensei em tudo! Drogas, roubo, crime.

O guarda pediu nossos passaportes. Depois, que saíssemos do carro.

- Por que? – perguntei sendo ignoradíssima!
Pediu os documentos do taxista. Jorge ficava cuidando dos nossos passaportes na mão do guarda e eu tentando entender aquele espanhol que de tão rápido parecia alemão.

- O que estão fazendo? – Jorge me perguntou ao ver o guarda abrindo o porta malas do carro e tirando nossa bagagem.

- Sei lá! Eu estou com medo!

O local começou a esvaziar. O taxista arrancou com o carro bravo. Pronto, cadeia para nós. Pedi meu passaporte de volta e perguntei o que estava acontecendo. O guarda atendeu ao meu pedido, mas se limitou a chamar outro táxi para nós e não disse mais nada.

Já dentro do táxi, o condutor nos explicou que aquele é um dos locais mais perigosos da cidade. E que vários bandidos se fazem passar por taxistas. Assim que o passageiro entra, eles se comunicam com amigos por telefone. Muda o caminho. O turista não conhece nada mesmo. Aí, assaltam, roubam, estupram e até matam. Por isso, a polícia estava fazendo estas batidas.

Meu anjo da guarda estava de plantão. Chegando ao hotel, era tudo feio e deserto ao redor e já estávamos tão traumatizados que dormi abraçada à minha bolsa e nem lembrei que tinha fome...

Copacabana para La Paz

Terminal rodoviário? Que nada! Na Bolívia tudo é muito mais interessante e artesanal! Os ônibus são como aqueles modelos de brinquedo.

Corremos para achar um que nos levasse até La Paz. Uma média de cinco horas de viagem. Depende de muitas coisas: tempo, condição da estrada, barco... Barco? É.
Por partes. Naquela imensidão de homens gritando e oferecendo seus ônibus você tem que escolher um. Escolhemos o que saia mais rápido e que seria menos pior. Todos nos recomendaram pegar um que parasse no terminal rodoviário de La Paz e NUNCA o que para no cemitério. Principalmente porque chegaríamos meia noite.

Nos certificamos de que estaríamos indo para o terminal. Mas no esquema La garantia soy yo! Não havia papel provando.

Embarcamos mortos de fome. Pegamos uma batata e corremos para o ônibus. Um cheiro terrível e... um rádio ligado com música típica no último volume! Fomos lá pedimos, imploramos. O motorista abaixava e depois voltava tudo igual. Foram mais de duas horas a ponto de enlouquecer. O pior é que o outros passageiros, nativos parecia que estavam gostando. Jorge fez um uma engenhoca para conseguir dormir.

Do nada o ônibus parou e todos foram pegando suas bolsas e descendo. Só ficamos nós dois. Resolvemos seguir o fluxo e ver o que estava acontecendo. Surpresa! A viagem de ônibus incluía uma viagem de barco. Uma cidadezinha mais do que deserta. Alguém d
o ônibus para dizer o que estava acontecendo? Claro que não! Começamos a seguir o fluxo de passageiros que já estava bem distante de nós.

Todo mundo começou a entrar num barco. Nós e mais três americanos nos juntamos e descobrimos que o ônibus atravessaria em outro barco e nós no barquinho à nossa frente. Jura? E ainda tinha que pagar taxa. Pela foto do interior do barco dá para ver o motivo da desconfiança. Mas parecíamos que estávamos atravessando alguma fronteira ilegalmente.

O barco estava tão pesado que para tocar a água era só estender a mão.
Já do outro lado, para onde ir? O que fazer? Começamos a perguntar e reconheci algumas pessoas do ônibus a alguns metros de nós. Sai correndo!

Um casal explicou que teríamos que ficar ali em pé esperando nosso ônibus chegar. Dali seguiríamos para La Paz sem mais surpresas. Sério?

sábado, 26 de setembro de 2009

ILHA DO SOL...

Visitamos a parte Sul da Ilha do Sol. Que perda de tempo!!!

Ok... a vista é bonita, mas o barco não anda, rasteja! A todo momento seus olhos enxergam a terra / porto, mas ele nunca chega!

A visita pela ilha é a coisa mais enganosa que existe! Você paga uma taxa assim que sai do barco. Obrigatória. Então começa o passeio com o guia. O que é aquilo??? Coisa de 40 minutos de pura enganação. Mas você vai subindo aquela montanha, tentando sobreviver a altitude. A cada cinco minutos para porque alguém está morrendo de falta de ar. Mas tudo isso em nome de conhecer as tais... ruínas.

Chegando ao final do passeio você dá de cara com as... as... as o que mesmo? Porque se aquilo não são restos do que um dia foi algo e hoje é um monte de pedra modificado pelos locais...

Logo abaixo o barco nos espera para voltarmos a Copacabana. Mais duas horas de lerdeza, sem igual. Meu telefone tocou. Sim, celular pega aqui perfeitamente! Meia hora dando uma entrevista ao vivo para uma rádio no Brasil. Salvou a monótona viagem!

Chegando à cidade fomos correndo ao hotel El Rosário para pegar nossas malas e correr para a estação de ônibus rumo a La Paz. A Bolívia é cheia de pegadinhas...








COPACABANA DIA DOIS

Saímos umas nove horas da manhã do hotel e estava tendo um carnaval. O mesmo da noite anterior, só que agora cheio de cores e danças repetitivas. Todos os grupos dançam praticamente a mesma coisa, mas ainda sim não perdia a beleza e as cores. As roupas eram fantásticas!

Visitamos a igreja de Nossa Senhora de Copacabana (foto ao lado). Fica em frente a praça principal da cidade. A visita foi rápida porque a cidade estava lotada e estávamos muita pressa.
Visitamos tudo correndo porque teríamos que conseguir um passeio para a Ilha do Sol. As ruas são infestadas de agências vendendo pacotes. Os preços não variam muito. Pagamos 80 Bolivianos por pessoa pelo passeio de meio dia que visita apenas o lado Sul da ilha.

Tínhamos a opção de pegar um barquinho pequeno para um tour privado que sairia por 54 dólares por duas pessoas.

Na beira do Lago Titicaca os marinheiros da região oferecem seus serviços para tours privados ou grupos fechados bem mais rápidos do que os que levam um monte de gente. Mas... olhamos para o barquinho... o barquinho olhou para a gente... O capitão era um senhor magro e idoso. Mesmo assim ficamos com medo e resolvemos economizar, também. A diferença era gigantesca, apesar de que, com ele, iríamos ao lado Norte também.
O resumo é que uma tarde saiu nosso barco (LENTÍSSIMO) para a Ilha do Sol...



















domingo, 20 de setembro de 2009

COPACABANA NOITE

Pedimos oxigênio para mim no fim do dia, mas o recepcionista achou melhor eu tentar ficar sem e me acostumar. Me entupiu de chá de coca e aspirina. Aceitei a sugestão e melhorei um pouco.

Esta é uma receita que realmente funciona: aspirina e uma xícara de chá de coca. Quem tiver problemas com altitude, deve tentar. Bebida alcoólica é algo que deve evitar a todo custo se não se adaptou como eu!




A sensação é de que vai morrer mesmo que seja apenas um gole. Faça como eu e tire apenas foto com a garrafa.

Saímos para comer e aproveitamos para visitar alguns hotéis nos arredores e ver se o El Rosário era mesmo parada obrigatória. Chegamos a conclusão de que: SIM!
Estava havendo uma espécie de carnaval na
cidade e esta noite era a abertura. São como agremiações q
ue vão para as ruas desfilar.
Aproveitamos para tirar f
otos com alguns, assistir os desfiles simples, porque o maior seria o dia seguinte e paramos pa
ra comer. Eu tentei, mas nada desceu. Belisquei o delicioso peixe que Jorge estava comendo e voltamos para o hotel, exaustos, porque o dia seguinte seria bem puxado!

COPACABANA CHEGADA

Após a fronteira pegamos mais algumas poucas horas até a cidade de Copacabana onde o majestoso Lago Titicaca nos aguardava.

Não há uma rodoviária por aqui, então o ônibus nos deixou no meio da cidade e fomos caminhando até o hotel. A cidade é bem pequena e parece uma cidade do interior do Brasil.

Já tínhamos ouvido falar que ficar aqui e não se hospedar no Hotel El Rosário (foto abaixo) é um erro sem desculpas. E é verdade. É o mais caro do lugar, mas considerando Bolívia... onde tudo é barato... Até quem viaja com pouco pode fazer esta extravagância.

A vista mostrada na foto acima me poupa de ter que explicar porque este hotel é exigência.

O Titicaca é o lago “navegável” mais alto do mundo.

Como eu estava exausta, sem comer, o resto de mim, entrei naquele maravilhoso quarto, tomei um banho e descemos para comer no restaurante do hotel com preços escandalosamente baratos. Impressionante como tudo na Bolívia é bem mais barato que o Peru.

Paguei, mas não comi, a altitude ainda me fazia mal. Mas voltei para o quarto, descansei e acordei para ver este lindo do pôr do sol da janela do meu quarto...