Depois do ônibus chegar, ao menos não tivemos mais cantoria. Paz até La Paz. Trocadilho horroroso.
Mas a paz só durou dentro do ônibus mesmo. Após três horas de viagem todo mundo começou a descer novamente. Fui informada por outro passageiro que era ali o final da linha. O cemitério! Até pensei em bater boca com o motorista, mas enquanto estivesse fazendo isso todos os passageiros iriam embora e ficaríamos ali sozinhos.
Pegamos nossas malas e tratamos de fazer sinal para pegar um táxi. Achamos um tanto estranho que numa região horrível e deserta à meia noite tantos carros de polícia estivessem parados. Não fiquei para ver.
O motorista, um jovem rapaz solícito, pegou nossas bagagens e guardou. Entramos no carro felizes por estarmos saindo dali.
- Pare! – um guarda entrou na frente do carro.
Quase desmaiei. Pensei em tudo! Drogas, roubo, crime.
O guarda pediu nossos passaportes. Depois, que saíssemos do carro.
- Por que? – perguntei sendo ignoradíssima!
Pediu os documentos do taxista. Jorge ficava cuidando dos nossos passaportes na mão do guarda e eu tentando entender aquele espanhol que de tão rápido parecia alemão.
- O que estão fazendo? – Jorge me perguntou ao ver o guarda abrindo o porta malas do carro e tirando nossa bagagem.
- Sei lá! Eu estou com medo!
O local começou a esvaziar. O taxista arrancou com o carro bravo. Pronto, cadeia para nós. Pedi meu passaporte de volta e perguntei o que estava acontecendo. O guarda atendeu ao meu pedido, mas se limitou a chamar outro táxi para nós e não disse mais nada.
Já dentro do táxi, o condutor nos explicou que aquele é um dos locais mais perigosos da cidade. E que vários bandidos se fazem passar por taxistas. Assim que o passageiro entra, eles se comunicam com amigos por telefone. Muda o caminho. O turista não conhece nada mesmo. Aí, assaltam, roubam, estupram e até matam. Por isso, a polícia estava fazendo estas batidas.
Meu anjo da guarda estava de plantão. Chegando ao hotel, era tudo feio e deserto ao redor e já estávamos tão traumatizados que dormi abraçada à minha bolsa e nem lembrei que tinha fome...